Greenpeace foi à orla de Salvador, Recife e Rio de Janeiro pintado de negro para fazer um alerta dos perigos da exploração de petróleo em alto-mar.

Em Copacabana, ativistas protestaram em favor da energia limpa e renovável, contra os perigos da exploração de petróleo em alto-mar. Francisco Cesar/Greenpeace
Ativistas com os corpos cobertos por uma pasta negra que simula petróleo percorreram a orla das três capitais. O gesto é simbólico, mas representa o perigo real de acidentes envolvendo plataformas de petróleo em águas profundas.
O protesto lembra o vazamento de um poço da empresa BP no Golfo do México (EUA) em abril, que deflagrou o maior desastre ambiental da história do país: a liberação do equivalente a cinco milhões de barris de petróleo no mar, paralisando a pesca e o turismo no litoral de quatro estados americanos e causando danos ainda incalculáveis a ecossistemas costeiros e marinhos na região.
Problemas de segurança não se restringem a exemplos internacionais. No Brasil, ao contrário do que alega a Petrobras, faltam condições de segurança e operacionais para exploração em alto-mar. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) acaba de interditar as operações da plataforma P33, no Campo de Marlim, Bacia de Campos (RJ). Desde março, funcionários denunciam as más condições da plataforma, que sofreu uma explosão, sem feridos, no dia 14 de julho. Ela está enferrujada, com tubulações corroídas e estruturas de proteção danificadas.
Por isso, o Greenpeace vê como retrocesso o investimento feito pelo governo brasileiro no pré-sal. “Há desafios técnicos de extrema complexidade que dificultam a segurança da exploração do pré-sal, como a grande distância da costa e a profundidade de mais de 5 mil metros. Além do mais, se forem totalmente exploradas, as reservas podem emitir até 56 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, consolidando a presença do país entre os maiores responsáveis pelo aquecimento global”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Energia.
“A melhor maneira de evitar os riscos é pensar desde já na transição da matriz energética, de uma fonte de energia cada vez mais arriscada, finita e suja, para as renováveis como solar e eólica e biomassa, amplamente disponíveis na natureza e que não dependem de extração”, complementa Baitelo.
No Rio de Janeiro, apesar do frio atípico, a atividade reuniu trinta voluntários, entre pintados de ‘óleo’ e fantasiados de animais marinhos e chamou a atenção de quem passava na calçada de Copacabana. Sidney Brito Gusmão, colaborador do Greenpeace há dois anos, marcou presença: “O importante é chamar atenção para os riscos, pois a maioria desconhece”, disse. A manifestação aconteceu também nas praias de Boa Viagem, Recife e Porto da Barra, Salvador.